• RODA DO MÊS

    Data: 04/11/2017 (Sábado)
    Horário: 15:30 as 17:00
    End: Av. Pres. Kennedy 1313
    Local: Academia Dynâmika

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Professor Fernando

Escrito por Ronan Boolha Ligado . Publicado em GRUPO SENZALA

 

Aos 8 anos comecei fazendo Karate Shotokan que treinei até os 12. Um primo meu me levou a academia do Mestre Itamar e do Mestre Peixinho e na hora troquei o Karate pela capoeira. Aprendi muito na academia da Travessa Angrense 14. Hoje em dia sou corda marrom do Mestre Itamar e aprendo todo dia ajudando o Mestre na academia. Sou faixa preta de Jiu-Jitsu da academia Carlson Gracie.

 

Professor Vicente

Escrito por Ronan Boolha Ligado . Publicado em GRUPO SENZALA

 

Sou Vicente Antonio Rodrigues Sauer, nasci em 1986 e hoje sou professor, corda verde de capoeira pelo grupo Senzala, com o Mestre Itamar.

Desde criança sempre gostei de Capoeira. Fui apresentado ao Mestre Itamar e ao Contra-Mestre Fernando – na época recém graduado com a corda verde – por um amigo quando tinha 12 anos, na academia Copa Corpo Clube em Copacabana e nunca mais parei de treinar. Nos primeiros anos treinava 5 vezes por semana e, nas férias chegava a fazer 4 treinos em um dia. Ficava o dia inteiro pulando e gingando. Pra mim, no começo, a capoeira significava uma atividade física sensacional e, mais importante uma diversão única. Com o passar do tempo fui tomando gosto pela história e cultura da capoeira, amadurecendo e desenvolvendo uma relação mais íntima e completa com a capoeira. Atualmente, com mais anos de capoeira em minha vida do que sem ela, posso dizer que é algo que está no meu sangue e faz parte de quem eu sou. Tudo que eu aprendi e sei devo ao grande Mestre Itamar, ao Contra-Mestre Fernando, e ao meu esforço e gosto pela capoeira, com contribuições de diversos outros mestres e professores.

 

Mestre Peixinho

Escrito por Ronan Boolha Ligado . Publicado em GRUPO SENZALA

 

Nasceu em Vitória, Espírito Santo, em 1947. Iniciou a capoeira em 1964, entrando para o grupo que veio a ser denominado Grupo senzala, em 1965. Participou do torneio berimbau de Ouro em 1967, 1968 e 1969. Ministrou aulas de capoeira na UFRJ de 1973 a 1980, na UERJ de 1979 a 1983. Participou de exibições e shows no teatro Municipal (1971) e Sala Cecília Meireles (1969), Festival Internacional na Ilha de Reunion (1977), Projeto brasil em Preto e Branco, durante seis meses na Europa, em 1987, organizador dos primeiros encontros europeus de capoeira a partir de 1987 e dos Encontros Escandinavos de capoeira, a partir de 1990.

Mestre Peixinho coordenava um extenso grupo de professores que ensinam em diversas cidades brasileiras, européias e americanas do norte.

 

Grupo Senzala

Escrito por Ronan Boolha Ligado . Publicado em GRUPO SENZALA

 

No ano de 1962, um grupo de jovens, amantes da capoeira, treinava no terraço do prédio onde moravam Paulo e Rafael, no bairro de Laranjeiras, zona sul do rio. Paulo, que havia treinado capoeira em Salvador, com Mestre Bimba, era quem comandava os treinamentos. Não era um professor de capoeira, com longa experiência, mas ensinava o que sabia. Até então, eu não conhecia ainda esse grupo. Comecei capoeira na Lapa, bairro onde morava, no centro do Rio de Janeiro. Um amigo de nome Paulo Brasil, treinava capoeira com o professor de judô, Rudholf Hermany na Escola de Educação Física da UFRJ, na época, Universidade do Brasil.

Hermany era campeão de judô, mas também era amante da capoeira e o estilo que praticava, era chamado: capoeira de sinhô, do Mestre Sinhozinho. Paulo Brasil era meu amigo, um pouco mais velho, mas andávamos juntos, e um dia, indo à praia do Flamengo, paramos no meio do caminho para que ele me mostrasse alguns movimentos de capoeira, porque eu nunca tinha visto. Logo em seguida à sua demonstração, aproximou-se um negro, magro, com uma camisa de mangas compridas e nos chamou de playboys e gentilmente perguntou se éramos praticantes de capoeira; ele se apresentou como um ex-aluno de Mestre Maré, de Salvador, e nos disse que seu apelido era “Bôca“. Daí em diante, entrei de cabeça nos treinamentos com o Bôca, alí mesmo, nos gramados do Aterro do Flamengo. Com ele aprendí a tocar berimbau e a cantar algumas cantigas de capoeira e a cada dia, me interessava mais naquela arte, para mim, até então, desconhecida. Passados 3 meses, o Bôca prometeu levar-nos, a mim e ao Paulo Brasil, em um local onde uns playboys (como ele tratava os garotos brancos) treinavam capoeira.

Chegamos ao extinto Teatro Jovem, no bairro de Botafogo, zona sul da cidade. Lá havia um grupo de garotos, os mesmos que treinavam no terraço, dos quais os que mais se destacaram foram: Gato, Gil, Preguiça e os irmãos, Rafael e Paulo. Fomos super bem recebidos, até porque, nenhum deles tocava berimbau, e quando viram o berimbau nas minhas mãos, ficaram certos de que algo iria mudar dalí em diante. Eles treinavam com um disco do Mestre Bimba, e assim foi a minha chegada ao Grupo Senzala, que nessa época ainda não tinha sido batizado com esse nome “mas já existia”. Passei a frequentar o Teatro Jovem e dalí nos mudamos para a Rua Benjamim Constant, para um pequeno clube que nos emprestava uma sala.

Ficamos pouco tempo e dalí fomos para a Associação Maranhense, no Largo do Machado, também zona sul da cidade. Lá, conhecemos o Maranhão, professor de judô, que passou a integrar o grupo, como cantador, com sua bela voz, e também como tocador de berimbaus.

Passados alguns meses, nos mudamos mais uma vez, desta feita para a Fundação Getulio Vargas, (uma faculdade) onde tínhamos um esquema de dar aulas para quem quisesse, em troca de uma pequena mensalidade. Em 1964, fui à Brasília visitar meu irmão que morava lá; em visita a uma academia de judô, fui recebido pelo professor, de nome Miúra, que me perguntou se eu estava interessado em aprender judô, ao que lhe respondi negativamente, pois treinava capoeira e foi aí que ele me apresentou ao seu aluno, na época faixa verde, de nome Claudio Brasília, outro apaixonado por capoeira e que também treinava com um grupo de amigos. No dia seguinte, marcamos um treino, e lá conheci o Hélio Tabosa, pessoa que mais tarde veio a integrar o nosso grupo sendo o representante em Brasília do Grupo Senzala. Quando em sua vinda ao Rio de Janeiro pelas férias de fim de ano, Claudio e eu nos encontramos várias vezes e quando chegou a sua hora de voltar à Brasilia, Claudio me apresentou ao Marcelo (hoje Peixinho, apelido dado por mim) e me pediu que continuasse com os seus treinamentos já que ele era muito interessado. Assim, ganhei mais um companheiro de treinos, pois o Peixinho passou a participar dos treinos que eu fazia com o Bôca e também o levei para o grupo. Claudio e eu sempre nos demos super bem, nos tratávamos como irmãos e na segunda viagem que fez ao Rio de Janeiro, levei-o para conhecer o grupo que mais uma vez havia se mudado, desta vez para o bairro do Cosme Velho, e nossa academia passou a ser um salão de festas, na casa de um amigo, de nome Helinho e o Claudio também passou a fazer parte do grupo. O grupo visitava frequentemente as academias dos suburbios, onde ganhamos experiência e também respeito dos outros capoeiristas. Aprendemos muito com esses velhos mestres, que sempre nos receberam de braços abertos, entre eles, devo ressaltar o nome do Mestre Arthur Emídio. Em 1965, fizemos a nossa primeira exibição de capoeira, foi no Clube Germania, em Botafogo, e o apresentador da festa nos perguntou o nome do grupo, pois ele nos apresentaria pelo nome, e foi ai que surgiu o nome Grupo Senzala, de improviso. Fizemos vários treinos também no terraço, onde participavam o Garrincha e o Sorriso, que eram bem meninos.

Em 1967, fomos convidados a participar de um evento que seria realizado no dia 20 de junho chamado: Berimbau de Ouro, na Feira da Providência, que na época era feita em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas. Era uma exibição de grupos, e cada grupo também deveria mostrar uma dupla que jogaria 6 minutos sem parar. A comissão julgadora era composta por um grupo de senhores da Associação dos Amigos do Folclore. Ganhamos esse troféu três vezes consecutivas, ficando com ele definitivamente. Troféu este que anos mais tarde foi furtado pelo "Preguiça”, que o levou na ocasião de sua mudança para os Estados Unidos e usou-o falsamente para se apresentar como campeão de capoeira do Brasil.

Em 1968, conhecemos o Nestor, que estudava na faculdade de engenharia e foi trazido pelo Gato, que também estudava lá. Nestor havia sido aluno de Mestre Leopoldina; ainda em 1968, seis anos depois da formação do grupo,chegou o Augusto (Baiano Anzol). Baiano Anzol havia sido aluno de Mestre Bimba, mas não cantava, não tocava nenhum instrumento e assim não acrescentando nada ao Grupo Senzala. Escreveu um livro, com várias fotos de capoeira, utilizando na época um aluno meu, de nome Angelo Gabriel, o Biel. Em 1971, nos mudamos mais uma vez, desta feita, para a Associação dos Servidores Civis do Brasil, em Botafogo.

O Grupo Senzala já era conhecido nacionalmente e também muito respeitado, até porque não tínhamos um mestre, uma pessoa que nos orientasse, aprendíamos uns com os outros, aproveitando a ida de alguns a Salvador, que voltavam com informações valiosas e também dos Mestres da Bahia que em visita ao Rio de Janeiro nos davam apoio, no caso, devo citar o nome do Mestre Camisa Roxa, que ao meu ver, foi o que mais nos ajudou e também do Mestre Itapoã, que nos ensinou a dança do maculelê. Em 1973, 11 anos depois da formação do Grupo Senzala, a pedido do Mestre Camisa Roxa, recebemos seu irmão, o Camisinha (hoje Mestre Camisa).

Camisinha tinha feito o curso de formação na academia de Mestre Bimba, que segundo Mestre Itapoã, tem a duração de aproximadamente, cinco meses; tinha 16 anos de idade quando ingressou no Grupo Senzala. Camisinha ficou no Grupo Senzala 18 anos, depois saiu e formou seu próprio grupo, o Abadá Capoeira. O Grupo Senzala, por não ter tido um mestre, uma pessoa central que direcionasse os treinos, acabou, com o que aprendeu com os mestres do subúrbio e o que aprendeu com os mestres baianos que vinham ao Rio de Janeiro, criando um estilo próprio, que não é Angola nem Regional, é o que chamamos: Capoeira da Senzala, estilo que é utilizado por vários grupos do Brasil, eficiente, técnico e rigoroso.

Apesar de existir há tanto tempo, o grupo só tem 14 cordas vermelhas, graduação máxima no Grupo Senzala. O Grupo Senzala está entre os maiores grupos do mundo, levando em conta que alguns grupos, entre eles o “Abadá” e o “Capoeira Brasil” se formaram com mestres que saíram do Grupo Senzala. A maioria dos seus mestres têm curso superior. É frequente, ler em entrevistas de revistas de capoeira, algum mestre de outro grupo, dizer com todo orgulho: “já fui do Grupo Senzala“ e é também isso que nos faz acreditar, que todo o esforço valeu a pena.

FONTE: www.capoeirasenzala.net - Mestre Itamar

“Alguns jovens sem ter um rumo na vida, mas tendo dentro de si em seus corações e almas a paixão de uma cultura e a defesa de um ideal, algo que antes poderia não passar só de uma brincadeira em um terraço hoje em dia transformou o nosso Brasil, deixou-o mais bonito, deixou nas mãos dos brasileiros o poder de cultivar sua cultura, para o Brasil e para o mundo, um povo sem cultura não vive e a Capoeira é a cara do Brasil como o Brasil é a cara da Capoeira!!”

Ronan Vergaças Seleme (BoolhA)

 

Mestre Itamar

Escrito por Ronan Boolha Ligado . Publicado em GRUPO SENZALA

 

Mestre Itamar sempre se interessou por esportes de lutas, (a não ser a caça submarina, da qual ele é amante). Começou no Jiu jitsu com o prof. Rayson Gracie na Academia Gracie, mais tarde indo treinar com o Mestre Carlson Gracie.

Praticou Karatê Shotokan na Academia Kobukan durante 3 anos com o Mestre Tanaka e dando continuidade na UFRJ com o Prof. Lirton Monassa. Praticou boxe inglês na Academia Santa Rosa com o prof. Santa Rosa durante 2 anos. Luta livre com o Prof. Hugo e Eugenio, na Academia Bruno Cilla durante 1 ano, nunca abandonando o jiu jitsu e a capoeira, claro. Nunca se interessou em participar de combates profissionais, tendo esses esportes puramente por lazer.

Promovia em sua Academia em Copacabana, alguns combates, puramente para incentivar alguns alunos, fazendo parte desses treinos Pedro Rizzo, seu aluno e do Mestre Peixinho, que depois de algum tempo se tornou Campeão Mundial de Vale Tudo, treinado pelo prof. Marco Ruas.

  • Em 1972 ingressou na Escola de Ed. Fisica da UFRJ onde lecionou capoeira por dois anos. Foi professor de capoeira na Escola Naval, no diretório acadêmico da Faculdade de Engenharia UFRJ, na Fundação Getulio Vargas e em varias academias da zona sul do Rio.

  • Diplomado no curso superior de francês da Aliança Francesa, unidade de Copacabana matrícula 55021004979. De 1975 a 1997, teve uma academia em Copacabana em sociedade com o Mestre Peixinho (Celeiro de Bambas).

  • Atualmente tem sua academia no Clube Olímpico, Rua Pompeu Loureiro 116 Copacabana. Coordena oito núcleos do grupo em Paris e um em Madri. No Brasil, dois núcleos em Curitiba.

 

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